O Cantinho do Obscuro 7 – Em defesa do clube empresa e do campeonato por pontos corridos
Terça-feira, 31/08/2010
PONTOS CORRIDOS E O CLUBE EMPRESA
Se você é daqueles que odeia o campeonato por pontos corridos e sente falta do Brasileirão decidido no mata-mata, saiba que o Campeonato Brasileiro no formato atual é essencial para o funcionamento do clube empresa.
O anseio pela profissionalização dos clubes é praticamente uma unanimidade entre os amantes do futebol. E trabalhar um clube como se trabalha uma empresa significa que ambos devem ter um objetivo em comum: buscar o lucro. Mas para falarmos em lucro não podemos esquecer do binômio mágico da contabilidade, receitas X despesas.
As duas grandes fontes de receita dos clubes atualmente são os patrocínios e os direitos de televisão. Em alguns clubes o patrocinador chega a assumir a figura de parceiro, participando inclusive das diretrizes do clube, com no caso de Fluminense e Unimed. E na hora de bancar o patrocínio o investidor precisa conhecer não apenas o número de torcedores, mas também o tamanho da exposição de seu produto, sabendo quantas vezes seu patrocinado vai jogar num certo período.
Por outro lado, o cálculo da renda proveniente da venda de ingressos também depende desse conhecimento prévio, e até mesmo o valor de venda de produtos licenciados passa pelo conhecimento exato de quantas partidas o time vai disputar no ano.
Pois bem, enquanto num campeonato em forma de Copa não se sabe quantos jogos um time terá, no campeonato por pontos corridos é sabido de antemão quantas partidas teremos. No modelo antigo, lembre-se, quem não se classificava para a fase de mata-mata do Brasileirão ficava de férias a partir de outubro. Como honrar os compromissos com tamanha diminuição nas receitas?
E aqui reside a vantagem, ou melhor, a necessidade do campeonato por pontos corridos: ele representa a receita ordinária do clube. Sabendo quantas partidas o time terá, o patrocinador sabe qual a exposição de sua marca e sabe o quanto investir. O clube sabe quanto pode projetar de renda de público, a televisão sabe quanto pagar de direito de transmissão, e com essa receita pré-estabelecida o clube empresa, por sua vez, vai honrar suas despesas ordinárias, que são basicamente os salários de jogadores, comissão técnica e funcionários.
Um campeonato mata-mata, por outro lado, representa as receitas extraordinárias: ao avançar de fase essas receitas garantem as despesas extraordinárias, como contratações, reforma da estrutura da sede ou estádios e construção de centros de treinamento. Mesmo que não se avance nesses torneios, a receita ordinária já está garantida, e a adimplência do clube não restará prejudicada.
Seguindo essa cartilha evitaríamos a orgia financeira das ultimas décadas, com clubes gastando reiteradamente mais do que recebem, contratando jogadores e técnicos com dinheiro que simplesmente não possuem, e rolando dívidas gigantescas para administrações futuras. Um clube não deveria pensar assim, e uma empresa simplesmente não pode.
Bem, quem gostaria de ver o clube empresa, o profissionalismo no futebol brasileiro, tem que conviver com o campeonato por pontos corridos. É o bônus que justifica o ônus. Com o tempo se aprenderá a apreciar (como já está acontecendo) o campeonato por pontos corridos, e ao mesmo tempo a emoção das finais continuará reservada para os campeonatos em formato mata-mata (Copa do Brasil, Taça Libertadores, Copa Sul-Americana).
Não se pode ter tudo na vida.
FUTEBOL PELO BRASIL
Pressão: Curiosa é a pressão na vida de qualquer um. Pressão por resultados. Pressão por prazos. Mais curiosa é a forma como as pessoas lidam com ela: há aqueles que sob pressão se concentram e progridem; há aqueles que travam e sucumbem. No pênalti a favor do Fluminense contra o São Paulo neste domingo, vejo que a carga de pressão exercida sobre Washington teve natureza negativa. Pressão para dar a vitória ao líder e manter a diferença de pontos sobre o Corinthians; pressão para mostrar ao elenco, treinador e torcida que não seria um mero reserva de luxo para Fred; pressão para provar a seu ex-time que deveria ter sido mais valorizado. A pressão era toda dele, Washington, e Rogério Ceni fez ainda mais pressão psicológica com sua (inteligente) catimba para desestabilizá-lo. Resultado, Washington cobrou a penalidade e perdeu, como perdera na final da Libertadores. Não agüentou a pressão…
Em tempo: Conca e Deco formam dupla de criação sem igual neste campeonato, e sequer precisaram jogar tudo o que sabem para se destacar na partida. É como diz o ditado: em terra de saci, qualquer chute é voadora.
Interinos: Andrade assumiu o time do Flamengo como mero interino e diante de seus resultados a diretoria não teve motivos para tirá-lo do cargo. Sorte ou não, levou o Flamengo ao título, mas não resistiu à conhecida panela de pressão que é a Gávea e caiu, cedendo espaço para Rogério Lourenço, interino do interino. Rogério cavou sua própria cova ao não conseguir dar um mínimo de padrão ao time, deixando o cargo sem que o rubro-negro tivesse outro técnico em mente, a ponto de encarar o Guarani com o interino do interino do interino, Toninho Barroso. Se o novo técnico Silas não estivesse previamente acertado, a bizonha virada sofrida neste domingo teria derrubado Toninho e o time seria treinado pelo interino do interino do interino do interino, possivelmente um treinador do dente-de-leite do clube. Ou talvez por Carlinhos.
Felipe de 1998 X Felipe de 2010: Particularmente não vejo nenhum problema nas declarações de Felipe de que não voltou ao Vasco para jogar na lateral esquerda. Trata-se de posição que exige forma física impecável e Felipe não é mais aquele jogador de 1998. Está demorando demais até mesmo para pegar o ritmo ideal para jogar no meio. Hoje, escalá-lo na lateral é um desperdício de seu talento e uma temeridade ao time, pois a posição é chave no esquema tático: o jogador deve ajudar na saída de bola, chegar ao ataque e não deixar buracos para o adversário. Com a fartura de bons meias no Vasco, penso se não seria oportuno escalá-lo como 2º volante, pois tem bom passe e visão de jogo. Mais uma daquelas dores de cabeça saudáveis para o treinador.
Momento Schumacher: Inicialmente o troféu de vacilo da semana iria para Val Baiano e sua inigualável coleção de gols perdidos. Mas é impossível não culpar a defesa do Fla pela virada sofrida nos acréscimos da partida contra o Guarani. E o momento Schumacher vai para: a defesa do Flamengo e sua desatenção fatal.
Palpites do Polvo Paul – 18ª rodada
Prudente 0×2 Botafogo: O Fogo volta ao G-4.
Fluminense 2×0 Palmeiras: Apesar da vitória do Verdão na última rodada, contra o líder a história é outra.
Cruzeiro 1X2 Flamengo: Todo jogador gosta de impressionar treinador novo.
Vasco x Corinthians: Jogo adiado para 13 de outubro. Palpite também.
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Por Frederico Gallindo Cursino
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Por Marcello Vieira em ago 31, 2010
Está aí um prisma pelo qual eu ainda não tinha pensado. Era super a favor do estilo mata-mata, mas seus argumentos me convenceram. Texto muito bem escrito também.
Abração