O Fluminense e o returno
A primeira tarefa – a primeira grande tarefa do Fluminense para o returno ocorrerá ainda no primeiro. É fundamental para o Fluminense a vitória sobre o Guarani, em Campinas, nesse domingo. Apesar de o hipotético e inútil título do primeiro turno estar assegurado, não vencer pode trazer, além do próprio Coríntians, Santos e Botafogo para muito próximo de nós, além do Inter. Além de tudo, nossa liderança poderia ser questionada, já que o Coríntians tem um jogo a menos e deverá vencer o Goiás, no Pacaembu. Se o Flu não vencer, ficará a, no máximo dois pontos do time paulista, sendo que esse tem um jogo a menos.
Dividindo em etapas - A vitória sobre o Guarani é também importante para que o Fluminense não consolide uma tendência de queda, que já vem se mostrando há algumas rodadas. Apesar de não perder, o Fluminense, nos últimos quatro jogos, só obteve uma vitória, contra três empates. Qualquer resultado negativo traria grandes mudanças sobre o RR+PAF para a vigésima sexta rodada. Segundo o RR+PAF, o método que usamos para projetar tendências, o Fluminense chegaria àquela rodada com uma variação de 58 a 53 pontos. Com o inesperado empate diante do Palmeiras, essa tendência já reduziu-se pára 56 a 51 pontos. Se cair mais, começamos a colar nos nossos adversários que chegariam a no máximo 47 pontos. Porém, é bom lembrar que, na ocasião, três deles ( Inter, Coríntians e Santos ) terão um jogo a menos. O Fluminense precisa manter uma boa distância sobre os adversários, pois tem uma tabela mais favorável até a 26a. rodada, porém a reta final será bem mais difícil. Precisamos de gordura para queimar no final.
Os oponentes - Esse mês de setembro pode deixar algumas equipes pelo caminho. E isso depende muito do desempenho do próprio Fluminense. Se o Fluminense, nas próxima oito rodadas, mantiver a tendência atual, será difícil que todas as equipes que estão posicionadas na parte de cima da tabela consigam acompanhar. São elas o Coríntians, Inter, Santos, Botafogo e Cruzeiro. Nesse momento, são os oponentes na luta pelo título. Se o Fluminense conseguir pontuar acima dos 55 pontos, é certo que alguns adversários ficarão pelo caminho. Caso consolide a queda de performance, o tricolor pode proporcionar uma reta final de campeonato muito disputada.
Uma decisão - O campeonato nos reservará algumas decisões nesse segundo turno. A primeira delas será na 22a. rodada, contra o Coríntians. Até lá, o Fluminense enfrenta Guarani(f), Ceará(c) e Atlético GO(f). Já o Coríntians enfrenta Goiás(c), Atlético PR(f) e Grêmio(c). O jogo será no Rio. Uma grande oportunidade para o Flu abrir uma boa vantagem sobre o segundo colocado.
Uma etapa a parte e uma sequência de decisões - Entre a 28a. e a 30a. rodada o Fluminense terá pela frente três adversários que possivelmente estarão disputando ainda o título da competição: Santos, Cruzeiro e Botafogo. O jogo contra o Santos, no Rio, poderá ser a grande chance de acabar com as pretensões do alvinegro paulista. O mesmo ocorre contra o Cruzeiro, no Mineirão, e depois contra o Botafogo, em campo neutro.
Mais dificuldades – A evolução de equipes como São Paulo, Palmeiras, Atlético MG e Grêmio dificultará muito a vida dos postulantes ao título. O segundo turno será mais difícil para todos. Talvez tenhamos mais dificuldade para vencer Atlético MG e Grêmio aqui no Rio que em seus domínios. Além disso jogaremos nas três últimas rodadas contra São Paulo e Palmeiras fora. Mais uma razão para acumularmos gordura nas próximas oito rodadas.
O Fluminense - Desde que começou a sua arrancada na quarta rodada o Fluminense oscilou para baixo pela primeira vez nas últimas duas rodadas. Nada que uma nova sequência de vitórias não corrija. Para obtê-las, o Fluminense conta com alguns fatores interessantíssimos e animadores. Não jogamos ainda com o nosso time dos sonhos, o que pode ocorrer já na estréia do returno, contra o Ceará. Naquela partida teremos Fred e Diguinho voltando. Se alguns adversários estão evoluindo na competição, ainda temos também o que evoluir. E muito.
Conca e Deco ainda podem melhorar o entrosamento. A dupla Fred e Emerson promete. Um meio com Diguinho, Conca, Deco e um cabeça de área a ser definido entre Valência e Fernando Bob ( Diogo está fora por 20 dias ) é de meter medo em qualquer um. É bom lembrar que no último jogo, contra o Palmeiras, atuamos sem Mariano, Diguinho e Fred, jogadores fundamentais na engrenagem tricolor. Mesmo assim, tivemos tudo para vencer o jogo, sobretudo porque tínhamos Conca, Deco e Emerson. O nome disso é elenco.
A trigésima terceira rodada - Em 2005 o Fluminense disputou contra o Internacional, na 29a. rodada, uma grande partida. Qual a relação disso com a 33a. rodada de 2010?
Na ocasião, o Fluminense foi muito superior ao Internacional, apesar do resultado, um empate em 2×2. Disputavam as primeiras colocações, além das equipes envolvidas na partida, o Coríntians. O resultado não foi ruim para o Fluminense, que se mantinha na luta pelo título. O problema é que, após aquela rodada, em que o Coríntians assumiu a liderança, após vitória sobre o Brasiliense, veio à tôna o caso Edilson. Curiosamente, duas partidas em que o Coríntians havia sido derrotado foram anuladas. Para completar, além de perder três pontos de uma partida que havia vencido, o Fluminense, completamente desfalcado, acabou derrotado em casa pelo Coríntians na rodada seguinte. A partir daí, o Fluminense começou uma trajetória desastrosa, que acabou nos tirando da Libertadores de 2006.
Qual a grande coincidência? Na 33a. rodada, quando enfrentarmos o Inter, no mesmo palco – o Beira-Rio – poderão estar envolvidas na disputa do título as mesmas equipes.
É só para lembrar que é o ano do centenário do Coríntians, que não ganhou nenhum título, que é o parceirão da CBF e que não podemos cochilar.
O maior desafio – Desde que decidiu escalar Deco no elenco, Muricy não conseguiu fazer o time repetir as melhores atuações. Apesar de ser um time mortífero no ataque, os adversários andam bastante à vontade para nos atacar. O desafio é, jogando no inevitável 4/4/2, criar um padrão de jogo em que a presença de dois meias técnicos e ofensivos não contribua para a ousadia dos adversários. O Fluminense jogou no 4/4/2 antes da Copa e conseguiu o intento. A diferença é que contava com Marquinho no lugar de Deco. Pois bem, se era Marquinho e agora é Deco, a tendência só pode ser de melhorar, certo? Em tese sim, mas é preciso substituir aquilo que garantia ao Fluminense toda a sua eficiência com a presença de Marquinho: a impetuosidade ofensiva pela esquerda e a agressividade na marcação. Deco não tem essas características, mas pode substituí-las com muita aplicação tática na marcação e a qualidade na transição ofensiva.
O lado esquerdo – Já que falamos de lado esquerdo, o trabalho ofensivo que era realizado por Marquinho pode ser realizado por Conca, que se integraria ao ataque como terceiro homem. Talvez o Fluminense pudesse recuperar a jogada que enlouquecia os adversários a partir da quarta rodada, com as triangulações em velocidades realizadas por Conca, Marquinho e Carlinhos. Provavelmente era essa variedade de repertório ofensivo e futebol em velocidade que intimidava os adversários. E por falar nisso, uma pergunta para encerrar essa análise…
Por que não a volta de Carinhos à lateral-esquerda?
Por: Marcelo Savioli
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